Prof. Dr. Giulliano Gardenghi | Coordenador científico da Faculdade CEAFI
A insuficiência cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida impõe barreiras físicas que, até pouco tempo, eram consideradas intransponíveis para uma reabilitação convencional eficaz. O principal obstáculo é o limiar ventilatório precoce: o paciente atinge a exaustão antes mesmo de o treinamento produzir benefícios periféricos (musculares). Contudo, novos dados científicos publicados no periódico JACC: Heart Failure revelam que o uso de vestimentas robóticas (exoesqueletos flexíveis) não apenas auxilia no movimento, mas altera a fisiologia do esforço.
A Sinergia entre Robótica e Fisiologia Cardiovascular
O estudo recente trouxe evidências robustas sobre como a assistência robótica atua como um “pulmão e coração auxiliares” do ponto de vista mecânico:
- Redução do custo metabólico de transporte: O dado mais relevante do novo estudo indica que os pacientes que utilizaram o exoesqueleto apresentaram uma redução significativa no consumo de oxigênio para realizar a mesma tarefa. Isso significa que o dispositivo permite ao paciente caminhar com uma eficiência energética próxima à de um indivíduo saudável, poupando o miocárdio sobrecarregado.
- Aumento da capacidade funcional: Nos testes de caminhada de seis minutos, a assistência robótica proporcionou um ganho de distância superior à diferença minimamente importante, validando a tecnologia como uma intervenção clinicamente relevante.
- Atenuação da percepção de esforço (Escala de Borg): Além dos ganhos fisiológicos, houve uma redução marcante na escala de percepção subjetiva de esforço. Para o paciente, o exercício deixa de ser um evento de “luta pela sobrevivência” e passa a ser uma atividade controlada e tolerável.
Impacto na Remodelagem Muscular
Um dos maiores benefícios apontados é a capacidade de realizar o treinamento de alta intensidade (HIIT) de forma assistida. Ao reduzir a carga de trabalho cardíaca, o exoesqueleto permite que os músculos esqueléticos trabalhem por mais tempo. Isso pode ajudar a combater a caquexia na IC, uma vez que a perda de massa muscular agrava o prognóstico da doença. Esse mecanismo pode também facilitar o processo de condicionamento, por promover uma melhor extração periférica de oxigênio.
Da Pesquisa para a Prática
A tecnologia robótica surge como ferramenta que pode ajudar em quadros de fragilidade avançada, na IC. O exoesqueleto não “carrega” o paciente, mas otimiza a mecânica da marcha para que o sistema cardiovascular não seja sobrecarregado precocemente, durante o esforço necessário em cada sessão de reabilitação.
Referências
- Medscape. Robot-assisted exercise may improve mobility in advanced heart failure. Medscape [Internet]. 2025 [acesso em 2026 jan 12]. Disponível em: https://www.medscape.com/viewarticle/robot-assisted-exercise-may-improve-mobility-advanced-heart-2025a1000ze8
- Panizzolo FA, et al. Robotic suit to improve mobility in patients with advanced heart failure. JACC Heart Fail [Internet]. 2025 [acesso em 2026 jan 12];13(1): [doi:10.1016/j.jchf.2024.10.015]. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2213177925007607


